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Blog da Nana

01/03/2007 GMT 1

Sucessão

lucinana @ 21:53

A faca que corta a carne é a mesma faca que amansa a tarde......

A tarde que corrompe a noite é a mesma tarde que dominará o dia...

O dia que arruína as horas é o mesmo dia que constrói a aurora...

A aurora que vence a treva é a mesma aurora que o vento leva..

O vento que destrói mansardas é o mesmo vento que me acaricia a face...

A face que convulsiona a dor é a mesma face que sorri da vida

E a vida que atrapalha a arte nada mais faz que fazer sua parte

Falta

lucinana @ 21:52

Sentir que estou sem ti

Saber que um dia estive

Entender que estará

Onde ninguém mais esteve

Estar aqui, querendo aí

E aí querer o aqui de volta

No clamor do estio

Sentir que estou sem ti

Saber que estás em mim

Sofrer com a falta das estrelas

Que não me dizem o lugar

Onde um dia também estarei

Porque nele você está.

Os lados

lucinana @ 21:52

Se por um lado o lado de lá se lhe apresenta

Por outro lado este mesmo lado se ausenta

Se fizer dos lados opostos os lados aliados

E fizer do lado de lá o lado que cá seria

Então lado a lado as almas conviveriam

No jogo de dados que eu ganharia.

Nós e voz

lucinana @ 21:52

Éramos nós como podíamos não ser....

Éramos sós, como sói acontecer

Eram os nós que atavam o viver

Eram os pós que voavam no amanhecer

Eram os cós das calças por cozer

Era o dia que a noite encobria

Era a válvula de escape da magia

Era a menina que fingia que sorria

Era a eterna semente que afligia

A dádiva que não sei se merecia.

Avesso

lucinana @ 21:51

Gárgulas decrépitos

Dráculas banguelas

Batmans diurnos

Miríades de sílfides

Duendes doentes

Corcundas retráteis

Gnomos gozados

Palhaços fardados

Na lírica poética

Do avesso da lógica.

Cores

lucinana @ 21:51

Submarino amarelo

No fundo azul

Do Mar Vermelho

Encalha na praia dourada

De coqueiros verdes

E areias brancas

Mas nem isso consegue mudar o meu humor negro

Aquele vestido

lucinana @ 21:51

Aquele vestido continua no canto

Lembrando um dia que esperei tanto

E sorri seu riso e chorei seu pranto

Aquele vestido estéril

Naquela praça ignóbil

Que o fez erétil

Por motivos óbvios

Aquele vestido amassado

No canto jogado

Por mim odiado

Por ser o vestido

Que vestiu a esperança

De você um dia

Não ser mais lembrança

Lírica

lucinana @ 21:50

Relíquia mórbida

Da tépida página

Recato público

Da folha cálida

Passagem bíblica

De peso híbrido

Libélulas másculas

Mágicos pernósticos

A lírica poética

Da minha verve trágica

Máquina

lucinana @ 21:50

Sou máquina de viver

E um dia fui de fazer vidas

Serei talvez a ferrugem que dela saltar

Ou a peça que nela faltar

Máquina errante

Ciber máquina de um espaço de luz

Super máquina de nenhum espaço

Esperando que alguém

Algum dia

A saiba manejar

A saiba entender

Antes que por obra e graça do destino

Ela se deteriore por si mesma.

Porvir

lucinana @ 21:49

Arrepio dolorido de prazer escondido

Derrepentes esperados

Serpentes enroladas em círculos de dor

E calor

Amores pungentes

Lírios sufocantes

O ópio da vida que se esvai

Em fumaças de alegria

Em visões de pugilato

Delírio de tragar a dor

Antes q ela me trague

Então trago meu cigarro

E sigo pelo mundo

Soprando arroubos de quietude

Exalando a pujança

Do dia q está por vir.

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