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Blog da Nana

01/03/2007 GMT 1

Cena

lucinana @ 21:57

Caracterizar a vida
Corrompê-la
Custear erros e acertos
Carnavalizar
Comemorar desditas
Celebrar conquistas
Canibalizar a juventude
Comer concreto
Cuspir pedras
Compensar as perdas
Combinar as cores
Concretizar sonhos
Caçar amores
Construir precipícios
Cair em si
Confabular com os deuses
Carregar as dores
Cultuar amores
Cansei dos atores....

Destino

lucinana @ 21:56

Urge o tempo
ruge o vento
desalento

fecha-se o cerco
me perco
desacerto

rumo ao precipício
sem sacrifício
desperdício

aperto o passo
quero o abraço
descompasso

bate o sino
forte e fino
desatino

escrevo um conto
não acho o ponto
desencontro

desculpas
desterros
desditas
desafios
destinos de todos nós..

Pássara

lucinana @ 21:56

Passou o tempo da dor latente
o tempo do amor pungente
essas dores, esses amores
ecos de um outrora , de um outono
fez-se a luz, a tão estampada luz
essas luzes, meus arcabuzes
agora o reino de viver é meu
agora não mais o breu
rever estrelas
querer tê-las
atravessar rios
meus desvarios
agora o tempo do sorrir sorveu-me
minha sorte, meu suporte
seguir meu norte
enveredar-me sul afora
afundar-me em mim
descobrir-me outra
livre, leve e solta..

É

lucinana @ 21:55

Derrames , enxames, impropérios

Malícias, milícias, impérios

Elogios, loas, vitupérios

Prazeres, loucuras, mistérios

Falsos, indolentes, sérios

Tesouros, manias,minérios

Bares, lares, ministérios

Benditos sejam os cemitérios

Sinais

lucinana @ 21:55

Sem reticências e sem vírgula

apenas o sim e o não

o talvez deixo pra depois

interrogações pairam

exclamações tonteiam

a assertiva da vida a nega

nada de novo

a não ser as aspas

que fogem hífens afora

derramando traços

de caráter

mas sem juízo de valor

até quando, não sei

até significa um tempo que acabou

o passado tbém se estrutura

nas construções futuras

e ponto final.

Para poucos

lucinana @ 21:55

Foi um amor tão lindo

Tão puro

Tão obscuro

Incompreedido e, porisso

Pleno

Condenado e, porisso

Perfeito

Errado e, porisso

Completo

Foi um amor de poucos

Um amor de loucos

Maldito e, porisso

Sagrado

Profano e, porisso

Divino

Profundo e, porisso

Findo

Foi um amor de poucos

Um amor de loucos

Perene e, porisso

Único

Sereno e, porriso

Lúcido

Curto e, porisso

Mágico

Foi um amor de poucos

Um amor de loucos

Cálido e, porisso

Real

Lírico e, porisso

Carnal

Trágico e, com isso

Mortal

Foi um amor de poucos

Amor de loucos.

Faz tempo

lucinana @ 21:54

Me sinto muito bem

o certo vencendo o injusto

a razão perdendo pro coração

eu me exalando

irradiando paz e tranquilidade por onde passo

Não que tenha sido algo de maravilhoso

mas foi uma barreira interior vencida por força exterior

Meu coração não se cansa de ter esperança

As coisas se transformam e

aonde quer que vá

vou para ser feliz

e levo meu coração alegre

tocando canções que o faz ficar cada vez mais agitado

Vá ser estrela

vá olhar as coisas de cima

O nosso amor é tudo

é minha vida inteira

sou eu todinha

Olho em meus olhos

te vejo refletido nitidamente

Amo, exatamente

Não consigo me expressar

Qualquer bruxaria seria pouco diante da nossa magia

Podem falar que perdemos a noção de limite

mas eu digo-lhes: não

Nunca

Nós dois unidos jamais seremos vencidos

Força total

energia

Me abraça meu amor

desculpe o mau jeito

mas é todo seu

Não sinto nada

sinto-me

Apenas

Não pedimos licença ao sol

a lua nos guiou

nossa intuição solta nos ares

Romantismo histórico

Um compromisso tão pequeno

num amor tão completo

Em frente, o futuro

Enfrente-o

Ele é você

somos nós

Noite fria

submarino amarelo

festa junina acentuada

Em volta a indiferança

por dentro a diferença de poucos anos

Refletores à solta

não nos apagamos

Maravilha poder viver

poder gostar de você

Na noite viajamos

a realidade fugiu da gente

O caminho é grande pra tão pequeno tempo

A loucura de poder viver me envolve

Meus braços

teus abraços

Som

lucinana @ 21:54

O silêncio se insinua sôfrego
desesperado
pungente
preciso gritar aos quatro cantos do mundo
que há vida, que há fundo
alguma voz há de calar em mim
sob o risco de eu calar a minha voz...

Marcas

lucinana @ 21:53

Meu rosto estampa a história do que fui
a estética estática das rugas
o estereótipo das brumas
a carcaça indelével dos dias
a mordaça arrogante das noites
sonhos, açoites
segredos anunciados nas dobras
prenúncios desavisados nas sobras
marcada a ferro e fogo
chamuscada
carimbada
ostento os sinais da comunhão de almas
transito pelo caos da calma
presença inconteste cravada em pedaços de mim
o que a ausência fez
foi somente perpetuar o fim...

Sucessão

lucinana @ 21:53

A faca que corta a carne é a mesma faca que amansa a tarde......

A tarde que corrompe a noite é a mesma tarde que dominará o dia...

O dia que arruína as horas é o mesmo dia que constrói a aurora...

A aurora que vence a treva é a mesma aurora que o vento leva..

O vento que destrói mansardas é o mesmo vento que me acaricia a face...

A face que convulsiona a dor é a mesma face que sorri da vida

E a vida que atrapalha a arte nada mais faz que fazer sua parte

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