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Blog da Nana

01/03/2007 GMT 1

Meios

lucinana @ 22:08

Meias palavras não traduzem meias verdades

Embola-se o meio de campo

Pululam os meio-termos

A meia lua irrompe em pleno meio-dia

A meia-calça da menina é vestida em meia-hora

Se sou meio louca é só porque não fui meio tola

Não tenho meio-irmão, nem meios de sabê-lo

Que minhas vontades se partam ao meio

Que tudo tenha um meio peso

De peso inteiro já faço mea culpa..

Ontem

lucinana @ 22:07

Se escrevia como desabafo
hoje não mais o faço
desabafei-me?
não...
desabei-me, talvez..
resto-me, apenas..
as chaves do meu um dia mundo
abriram as portas do impenetrável
e se perderam no impossível..
abrir-me não mais
apenas florir-me quando em vez
sem desabrochares belos
apenas o círculo da natureza se cumprindo
encompridando-me mais q devia
ou merecia..

Querer-me

lucinana @ 22:07

Os meus quereres são todos tão simples e tão caros
queria, por exemplo, madrugar-me no teu sono
entardecer-me na tua labuta
e anoitecer-me em teu descanso

clarear-me em tuas trevas
escurecer-me em tua luz

florescer-me em espasmos de alegria
frutificar-me em teus sulcos

banhar-me em teus líquidos
sangrar-me em teus cortes

aprofundar-me em tua carne
enraizar-me toda inteira

cicatrizar-me em ti.

Deixe

lucinana @ 22:07

Tirar os pés do chão
jogar as mãos pro céu
deixar-se levar

Tirar os pós do pão
jogar os sãos ao léu
deixar-se arrebatar

Tirar as pás da mão
jogar os grãos no mel
deixar-se levitar

Tirar o pus do cão
jogar os nós no fel
deixar-se matar...

Tempo

lucinana @ 22:07

Era um tempo que não mais
tempo que ficou pra trás
era o tempo do jamais
tempo que burilou a paz

era um tempo do que se foi
tempo de ser rei
era o tempo que corrói
tempo que não sei

era um tempo que fazia
tempo em que permanecia
era o tempo do que ria
tempo que jazia

era um tempo do senão
tempo de caçar rumo
era o tempo do coração
tempo que perdi o prumo

era um tempo de existir
tempo de tentar viver
era o tempo do porvir
tempo de apenas ser

Colocações

lucinana @ 22:06

Primeira vez de uma segunda chance, que veio sem que pedisse..
segundo tempo da primeira vida, se é que outras virão..
terceiro olho estampado na face atônita da menina, que não mais..
quarta dimensão de um tempo que será pra sempre..
quintessência do cheiro do que se foi..
sexto sentido de tantos sentidos que se afloraram..
sétima arte de arte alguma que não fiz..
oitava na peneira, oitava peneirando sob o sol..
nona sinfonia inacabada de desejo..
décima vez que não repito mais nada.

Tristeza

lucinana @ 22:06

Acho que perdi o gosto pela vida
Nada mais me apraz
De nada mais sou capaz
Não tenho mais vontades
Foram-se minhas verdades
Conheci o amor e ele se foi
Conheci a dor e ela permanece
Em mim tudo ainda dói
Só a melancolia ainda cresce
Não descobri ainda do que preciso
Pra me trazer de volta o sorriso
Vivo por obrigação
Vivo pelos amores que gerei
Vivo porque necessito
Até quando, não sei
Quero muito o meu pulsar de volta
A alegria da espera
A certeza do amor correspondido
O desabrochar da minha fera
Quero de novo a luz
Quero de novo a paz
Quero o que já fiz
Mas se não puder de novo ter tudo isso
Saberei dentro de mim
Que o tanto que já tive
Foi o que sobrou de mim...

Comigo

lucinana @ 22:06

Com fé

Com o pé na estrada

Compenetrada

Centrada

Sem nada

Sentada

Sentida

Sem ti

Parada

Comparada

Contada

Com tudo

Com nada

Contida

Contigo

Comigo...

Antes de ontem

lucinana @ 22:05

Se ontem completa
Hoje fragmentada

Se ontem saciada
Hoje sedenta

Se ontem exigente
Hoje complacente

Se ontem caminho
Hoje estrada

Se ontem consumida
Hoje consumada

Se ontem inteira
Hoje amputada

Se ontem plenitude
Hoje saudade

Se ontem alegria
Hoje vazia

Se ontem amor
Hoje a dor

Se ontem vivi
Hoje sobrevivo

Se ontem fui
Hoje serei?

Se ontem majestade
Hoje, onde o rei?

Se ontem juventude
Hoje maturidade

Se ontem a luz
Hoje o túnel

Se ontem natureza
Hoje o rímel

Se ontem simples
Hoje complicada

Se ontem tudo
Hoje, nada.

Apelo

lucinana @ 22:05

A vida não precisa fazer sentido
Mas precisa-se de um sentido pra viver

Sem sentido, desavisada
Sigo eu por essa estrada

Destituída de sentimentos
Desprovida de conhecimentos

Imota em meio a meus lençóis
Idiota frente aos comensais

Sigo só, rodeada de gente
Preferia seguir apenas em frente

Gelada, parada, acomodada
Estupidificada com os calores de nunca mais

Não quero nada que se possa comprar
Mas compraria o mundo pra nele apenas Estar

Onde posso encontrar-me de novo?
Sem achar-me, não me movo

Abandonada, envelhecida e pútrida
Essa é a extensão da minha ferida

Aqui e ali rasgos de alegria
Efêmeras , não mais as teria

Não sei se um dia o viver virá
Tampouco sei se alguém me terá

Onde diabos você está?

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