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Blog da Nana

09/05/2008 GMT 1

Por aí

lucinana @ 15:04

Ando por aí..
Com tantas eiras e beiras que não as quisera tantas
Ando por aí..
Com tantas idéias que fazem delas santas
Ando por aí
Com tantos céus desprovidos de mantas
Tantas construções carecendo de plantas.........
Mas ando por aí...

16/04/2008 GMT 1

Família Barroso

lucinana @ 00:27

Família Barroso

Me pediram para falar dessa família
Como se dela eu não fizesse parte
Como se dela eu não fosse quase filha
Como se por ela eu não fizesse arte

Pediram que disesse o que eu achava
Como se só dizer fosse coisa banal
Como se pudesse resumir numa palavra
Como se pra mim ela não fosse essencial

Pediram que eu desse meu parecer
Como se isso fosse coisa corriqueira
Como se sem ela eu pudesse viver
Como se sem ela eu não fosse inteira

Pediram também que eu desse minha opinião
Como se faz com qualquer objeto
Como se a base dessa família não fosse a união
Como se seu sentido não fosse completo

Por tudo isso podem me incriminar
Por ter me juntado a um Barroso
Porque sempre os ouvi gritar
Que quanto mais velho mais gostoso!

20/08/2007 GMT 1

Sei que nada sei

lucinana @ 21:25

Sei tanto , mas tão pouco de mim!
Sei que algumas vezes sou santa, e algumas vezes insana
Que sou algumas vezes mártir, outras vezes, algoz
Sou vítima, e sou culpada por tudo
Muitas vezes sou muralha, outras um livro aberto
Sei que emito luz própria, mas às vezes também a absorvo
Criei meu próprio sistema planetário, por onde nada orbita ao derredor
Sobrevivente de uma guerra travada dentro de mim
Sou escrava, sou senhora
Sou fúria e sou mansidão
Sou fria e um vulcão em erupção
Sou terna mas queria ser eterna
Não sou isenta de culpa alguma, mas tenho meu próprio nome
E sei que devo responder pela minha e por demais existências....

03/08/2007 GMT 1

De novo

lucinana @ 14:59

Eu que jamais pensei amar de novo
Vejo-me às voltas com esse sentimento
Eu que me via igual à todo povo
Pego-me intrigada com esse nascimento

Eu que entreguei minha alma à Deus
Vejo-me às voltas com esse novo pulsar
Eu que agora vejo nos olhos teus
Pego-me indecisa com medo de amar

Eu que já vivi de tudo um pouco
Vejo-me às voltas com essa descoberta
Eu que já chorei um pranto louco
Pego-me surpresa por saber-me aberta

Eu que imaginei que tudo tinha um fim
Vejo-me às voltas com o desabrochar
Eu que havia desistido de mim
Pego-me atônita por poder voltar

Eu que estava aqui, quieta no meu canto
Vejo-me agora inquieta e latente
Eu que pensei ter secado meu pranto
Pego-me além, encantada e contente

Eu que sabia que a dor existia
Vejo-me agora liberta e acesa
Eu que me pensei livre de tal mania
Pego-me envolta em paz e beleza

Eu, que agora simplesmente me vejo
Eu, que agora redescobri o desejo...

Nana.
03/08/07

Promessa

lucinana @ 15:56

O que é um poema senão algo belo?
O que é um poema senão o vôo das aves?
Se como um doce, me melo
Se abro portas, perco chaves

O que é um poema senão o que me cega?
O que é um poema senão estouro de fogos?
Se não sou hiper, sou mega
Se não ganho, perco os jogos

O que é um poema pra alguém distante?
O que é um poema prometido?
Se esse alguém é importante
Faço dele meu sentido

Sendo alguém tão especial
Sendo alguém que me traz sorte
Me sinto plena, afinal
Por achar alguém tão forte

Tão forte que me conduz
Tão forte que me refaz
Tão forte que me seduz
Tão forte que me traz paz!!

01/03/2007 GMT 1

Trago

lucinana @ 22:21

Trago em mim a luz
A que me leva, a que me conduz
A que me enleva, a que me seduz

Trago em mim a paz
A que me conforta, a que me apraz
A que me busca, a que me traz

Trago em mim a dor
A que me destrói, a que me faz decompor
A que me alivia, a que me lembra o amor

Trago em mim a lua
A que me entontece, a que me deixa nua
A que me silencia, a que me deixa crua

Trago em mim o som
O que me comove, o que me dá o tom
O que me move, o que é o meu dom

Trago em mim a cor
A que me colore, a que me deixa com rubor
A que me apaga, a que me faz recompor

Trago em mim a flor
A que me enfeita, a que me dá sabor
A que me conforta, a que me dá calor

Trago em mim o céu
O que me enfeitiça, o que me tira o véu
O que me eterniza, o que deixa ao léu

Trago em mim a luz
A paz
A dor
A lua
O som
A cor
A flor
O céu

Espero que um dia, talvez
Todos eles me traguem de uma vez

Limpeza

lucinana @ 22:20

Na minha higiene mental de todo dia
Procuro primeiro despir-me dos meus sonhos
Para depois lavar com fúria a sujeira que me infecta
Esfrego sôfrega as manchas de nascença
Na esperança vã fazer delas motivos de uma crença
Limpo os cantos vazios da minha mente
Tentando preenchê-los de cantos líricos
Alimento meu corpo inerte e carente
De promessas e desejos oníricos
Seco com esponjas estéreis a umidade dos meus poros
Com hastes inflexíveis de algodão
Pra tentar apagar de vez as marcas de uma paixão.

Passado

lucinana @ 22:09

Foram tantos os “pra sempre” ditos

Foram tantas as desditas

Foram quebrados todos os mitos

Foram promessas vãs, malditas

Foi a certeza do jamais

Foi a consciência do prazer

Foi apenas o “nunca mais”

Foi a vida por fazer

Foi a plenitude do tudo

Foi a ausência do nada

Foi meu amor alucinado e mudo

Foi felicidade à mim negada

Ente

lucinana @ 22:08

Habitante da noite

Viajante do tempo

Transeunte da via-láctea

Figurante do show da vida

Adolescente de quimeras mil

Assaltante de idéias e ideais

Fulgurante em querer ser

Resplandecente em sorrisos falsos

Implicante com o azar que perdura

Beligerante com a dor alheia

Pulsante de alegria insípida

Combatente da luta inglória

Carente do que já fui

Dormente de paixões

Crente que as terei

Diametralmente oposta à mim mesma...

Todos os ritmos de mim

lucinana @ 22:08

Não sei se minha vida soa falsa

Como dois bailarinos numa grande valsa

Não sei se embalada numa sonata

Como o ébrio apaixonado numa serenata

Não sei se embalada ao som de um blues

Como dois amantes totalmente nus

Não sei se a alegria dos passos do mambo

Se traveste em mim na tristeza de um tango

Talvez, quem sabe ainda o samba, com seu vigor

Faça com que eu, consumada, esqueça minha dor

Não sei se tenho competência pra reger minha íntima orquestra

De certa maneira pareceria desonesta

Se meus compassos rimariam com meus passos

Se meus solfejos desenterrariam antigos desejos

Se minhas colcheias virariam areia

Talvez eu saiba que todos os versos da minha vida-canção

Traduzam de fato minha verdadeira emoção

Que minha pequena clave de sol se destaca e me deixa nua

E eu, qual louca, anseio pela clave de lua!

Talvez eu saiba, com certa maestria

Que qualquer ritmo, de tristeza ou alegria

Faz de mim a louca mítica, rítmica e sinfônica

A ponto de deixar-me totalmente atônita

Só assim, somando-se todos os ritmos do mundo

Todos os acordes possíveis

Todas as dissonâncias existentes

Toda uma seqüência estética

Eu perceberia, pasma,

Que a minha lírica é a poética!

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